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Painel Orbi #03 – Empreendedorismo brasileiro

Empreendedorismo brasileiro - Painel Orbi

O empreendedorismo vem se tornando uma realidade para milhares de pessoas ao redor do mundo. E no Brasil, não poderia ser diferente. Cresce cada vez mais o número de adeptos a esse tipo de trabalho, bem como a forma de pensar e agir do empreendedor. Nós da Orbi acreditamos muito no empreendedorismo, sobretudo quando realizado com propósito, coragem, persistência e excelência. Por isso, hoje trouxemos no terceiro Painel Orbi um panorama do empreendedorismo brasileiro com dados, taxas e percepções. 

Conhecendo a pesquisa

O Painel Orbi dessa vez traz o relatório executivo chamado “Empreendedorismo no Brasil”, realizado em 2019 pelo programa de pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM)  com apoio do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) e do SEBRAE. O GEM é considerado um consórcio de várias equipes nacionais que desenvolvem pesquisas sobre o empreendedorismo no mundo todo. Assim como, é o único estudo de abrangência global que coleta os dados diretamente com os próprios empreendedores.

Para o GEM, o empreendedorismo é entendido de uma forma mais ampla, pois podem estar englobados empreendedores de diferentes matizes, com negócios formalizados ou não. Também, entendem o termo como qualquer tentativa de criação de um novo empreendimento, podendo ser uma atividade individual, uma nova empresa ou até expansão de um empreendimento existente.

A pesquisa sobre o empreendedorismo brasileiro foi realizada com a população adulta do país: foi feita através de um levantamento domiciliar junto a uma amostra representativa de pessoas com idade entre 18 e 64 anos do país, sendo que em 2019 foram entrevistadas 2.000 pessoas.

Categorizações da pesquisa

Além disso, é fundamental para a pesquisa GEM a categorização desses empreendedores segundo o estágio dos empreendimentos com os quais estão envolvidos. Ou seja, empreendedores iniciais (subdivididos em nascentes ou novos) e empreendedores estabelecidos:

  • “Os empreendedores nascentes estão envolvidos na estruturação de um negócio do qual são proprietários, mas que ainda não pagou salários, pró-labores ou qualquer outra forma de remuneração aos proprietários por mais de três meses”;
  • “Novos empreendedores administram e são proprietários de um novo negócio, que pagou salários, pró-labores ou qualquer outra forma de remuneração aos proprietários por mais de três meses e menos de 42 meses (3,5 anos)”;
  • “Os empreendedores estabelecidos são aqueles que administram e são proprietários de um negócio tido como consolidado, que pagou salários, pró-labores ou qualquer outra forma de remuneração aos proprietários por mais de 42 meses”.

Ademais, foi realizada pesquisa com especialistas: foram consultados 67 profissionais de diversas áreas de especialização associadas ao fenômeno do empreendedorismo. Dessa forma, o propósito foi de fornecer um panorama acerca do ambiente para se empreender no país. 

Taxas gerais sobre o empreendedorismo brasileiro

A taxa de empreendedorismo total no Brasil corresponde a 38,7%, porcentagem ligeiramente maior que o ano anterior e a segunda maior da série histórica. O maior pico foi em 2015, com 39,3%. Estima-se que haja 53,5 milhões de brasileiros (18-64 anos) buscando construir ou consolidar um negócio próprio. Logo, percebemos a presença do empreendedorismo na vida dos brasileiros.

Também, podemos destacar que a taxa de empreendedorismo brasileiro inicial superou a de empreendedorismo estabelecido. Isso pode ser associado ao aumento significativo da taxa de empreendedores nascentes (6,4 pontos percentuais a mais que 2018 – de 17,9% para 23,3%). Já a taxa de empreendedores estabelecidos baixou 4,0 pontos percentuais (de 20,2% para 16,2%), o que pode [e deve] ser levado como um alerta. 

Além disso, houve o aumento da taxa de empreendedorismo potencial (de 26% para 30,2%, ou seja, de cada dez brasileiros três gostariam de abrir um negócio próprio nos próximos três anos). Os números e as aspirações demonstram a relevância do desenvolvimento de políticas e programas voltados ao empreendedorismo brasileiro.

Motivações para empreender e taxas específicas

Quando questionados sobre a motivação para empreender, 88,4% dos empreendedores iniciais dizem que “para ganhar a vida porque os empregos são escassos”; 51,4% “para fazer diferença no mundo”; 36,9% “para construir uma grande riqueza ou uma renda muito alta”; e, 26,6% “para continuar uma tradição familiar”. 

Esses últimos dados apresentados foram coletados de maneira que o respondente poderia optar por responder afirmativamente para mais uma questão. Porém, quando analisaram o percentual dos que responderam de forma afirmativa apenas para uma das questões,  26,2% dos empreendedores iniciais afirmaram que “ganhar a vida porque os empregos são escassos” foi a única motivação para começar a empreender. Esse fato pode ser associado à trajetória de empreendedorismo por necessidade no Brasil, que vem se mantendo ao longo dos anos.Já em relação às taxas específicas do empreendedorismo brasileiro, a pesquisa analisou sexo, faixa etária, escolaridade e renda familiar.

Alguns dados interessantes demonstram que a taxa dos empreendedores estabelecidos do sexo masculino foi de 18,4%, enquanto a do sexo feminino foi de 13,9%. Por outro lado, as taxas de empreendedorismo inicial são muito semelhantes. Esse tem sido um retrato constante no cenário brasileiro ao longo dos anos, visto que mulheres apesar de começarem negócios quase na mesma intensidade que homens, acabam largando por alguns fatores, como a responsabilidade com as atividades domésticas e familiares.

Conheça mais taxas específicas

No estágio de empreendedores estabelecidos, os brasileiros na faixa etária de 45 a 54 anos (23,8%) são os que possuem maior taxa e a faixa com menor índice de é a dos mais jovens, dos 18 aos 24 anos (7,2%). Já entre os empreendedores iniciais, é faixa dos seniores (55 aos 64 anos) que possui a menor taxa, com 12,4%. E a maior taxa de empreendedores em estágio inicial está na faixa de 35 a 44 anos, com 26,7%.

Quanto aos níveis escolares, os mais ativos no envolvimento com atividades empreendedoras iniciais são os que apresentam ensino superior completo (27,6%). Por outro lado, no empreendedorismo brasileiro estabelecido a maior taxa se refere aqueles que não possuem o ensino médio completo (23,2%). Dessa forma, a pesquisa aponta que para cada empreendedor no estágio estabelecido com nível universitário, existem seis outros empreendedores que não finalizaram o ensino médio.

Sobre os empreendimentos: setor, inovação e formalização

Ao questionar sobre o setor que se destina os empreendimentos, o mais expressivo entre os empreendedores iniciais se refere aos serviços voltados ao consumidor (68,7%). Bem como, entre os empreendedores estabelecidos (56,4%). Em contrapartida, quando interrogados sobre inovação, para os empreendedores iniciais apenas 0,6% possui novidade no produto/serviço e  0,0% na tecnologia utilizada no âmbito nacional. Quanto aos empreendedores estabelecidos, o grau é menor ainda, sendo que 0,0% apresentam produto/serviço novo e 0,3% tecnologia nova no nível nacional.

Contudo, sobre a formalização dos empreendedores, 26,1% de brasileiros estavam formalizados através de CNPJ. Assim, houve um aumento de  3,3% em relação ao ano de 2018. Qual foi o principal motivo? A consciência de estar com o empreendimento regularizado (73,5%). Além disso, outra razão que se destacou foi o fato de estar inserido no sistema previdenciário do país (31,4%).

Ambiente para inovar no empreendedorismo brasileiro: sonhos e percepções

A maioria da população brasileira, seja empreendedores nascentes, novos, estabelecidos ou não empreendedores, possui o sonho profissional de ter um negócio próprio. Em especial, quando comparado com fazer carreira em uma empresa e carreira no serviço público. Entretanto, a maior taxa que sonha em ter um empreendimento próprio se encontra nos empreendedores nascentes (66,7%) e a segunda nos não empreendedores (38,7%).

Em relação às percepções da população brasileira, as afirmações que mais se destacaram, respectivamente, foram:

  1. “No Brasil, veem frequentemente histórias na mídia e/ou na internet sobre novos negócios bem-sucedidos”;
  2. “A maioria das pessoas considera que começar um novo negócio é uma opção de carreira desejável”;
  3. “Aqueles que têm sucesso ao iniciar um novo negócio têm um alto nível de status e respeito”.
Empreendedorismo brasileiro - Painel Orbi

À vista disso, percebemos o lugar que o empreendedorismo brasileiro ocupa no imaginário da sociedade, sobretudo quando entendido não apenas pelo viés da construção de uma carreira profissional. Mas também, como uma maneira de ascensão e desenvolvimento de um status social.

Pesquisa com especialistas

Além dos empreendedores, também foi realizada pesquisa com 67 especialistas: profissionais de diferentes áreas associadas ao empreendedorismo, a fim de compreender o panorama para empreender no país. Assim, as recomendações dos experts se relacionam com duas principais questões: políticas governamentais e educação e capacitação.

Ao argumentar sobre políticas governamentais, os especialistas no empreendedorismo brasileiro destacaram três pontos: simplificar e reduzir a tributação, revisar amplamente as legislações vigentes e estabelecer um pacto entre os entes federativos e a sociedade em torno das políticas públicas

Já sobre educação e capacitação, salientaram as seguintes questões: se relaciona com as iniciativas de instituir como política de Estado a formação empreendedora; incluir no ensino fundamental e médio noções de educação financeira e empreendedorismo; criar programas de competição relacionados a novos negócios inovadores, entre outros.

Análises e percepções do empreendedorismo brasileiro

Ao analisar os dados destacados no nosso conteúdo, juntamente com as percepções da pesquisa, percebemos que o aumento da taxa de empreendedorismo potencial significará em média 8 milhões de novos empreendedores ingressando anualmente (se o número se confirmar). Quando descrevemos em números absolutos, nos damos conta do número expressivo de possíveis ingressantes no empreendedorismo brasileiro e a seriedade que diversas áreas e iniciativas precisam ter para auxiliar nesse sentido. 

À vista disso, as taxas demonstram que é fundamental estabelecer políticas e programas voltados ao empreendedorismo brasileiro que sejam abrangentes e que envolvam os diferentes perfis, aspirações e expectativas das pessoas. Em especial, quando nos referimos ao Brasil: um país diverso, repleto de diferenças, antagonismos e complexidades em relação a sua população, etnias e culturas.

Ainda é alta a motivação de empreender por falta de empregos, o que mostra uma iniciativa empreendedora por necessidade recorrente no Brasil. Por outro lado, a questão de fazer diferença no mundo também se mostra relevante, o que pode evidenciar a desconstrução do próprio conceito de empreendedor e do seu significado. Por isso, é fundamental ensinar os cidadãos quanto ao universo empreendedor de forma crítica e profunda, com intuito de fomentar ambientes de trabalho saudáveis, excelentes e inovadores.

Empreendedorismo e empoderamento

A inserção da mulher vem aumentando ao longo dos anos, porém a base de empreendedores estabelecidos é menor, se comparado ao dos homens. Isso pode ser associado aos comportamentos e estereótipos socioculturais, como o envolvimento maior das mulheres nas atividades domésticas e da família. É preciso repensar essas questões e desenvolver o empoderamento feminino enquanto empreendedoras e donas do próprio negócio. Além disso, conscientizar a população quanto aos deveres dos homens no seio familiar, que também precisa cumprir com suas tarefas de forma igualitária.

A pesquisa afirma, de uma maneira geral, que a sociedade brasileira enxerga grande valor nos empreendedores, contudo considera que ainda há muito espaço para iniciativas que promovam o nascimento e a sobrevivência de empreendimentos. Ou seja, apesar das iniciativas existentes, ainda podemos criar diversos movimentos em diferentes instâncias para propagar a mentalidade do empreendedorismo, sobretudo através da união entre poder público e privado.

Curtiu o Painel Orbi sobre empreendedorismo brasileiro? É super importante termos consciência do ambiente que nos cerca e da nossa realidade para poder tomar decisões e criar novas soluções! E para consumir mais conteúdo do Painel Orbi, é só acessar aqui. Por fim, deixamos um questionamento para reflexão: o que significa empreendedorismo para você?

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